18 de Março de 2019

Artigo de opinião publicado no Jornal da Madeira no dia 17 de março de 2019

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/2273/Intuicao_quando_o_coracao_tem_razoes_que_a_propria_razao_desconhece

 

A palavra intuição, deriva do latim intuitione, que significa “olhar para dentro”, contemplar, aceder ao conhecimento que está dentro de nós. Também é designada por sexto sentido, “voz interior”, pressentimento e, até, palpite. É uma capacidade inata, de difícil compreensão, que tem sido estudada, e definida, por várias disciplinas (sociologia, filosofia, psicologia, neurociências, noética) e doutrinas (esoterismo, espiritismo).

A psicologia descreve a intuição como uma forma de raciocínio inconsciente, automática, rápida, evolutivamente antiga e associada ao sistema límbico cerebral (área que processa as emoções). Pode ter diferentes classificações, que incluem o “óbvio” e a “Eureka”! Em todos os casos, ninguém consegue explicar o pensamento utilizado na resolução de um problema, inicialmente, complexo. É um saber, sem saber como! As neurociências descrevem a intuição como uma capacidade rápida de processamento de informação. O nosso cérebro, de forma a ajustar-se às situações, é preditivo, isto é, estabelece previsões, comparando constantemente as novas informações recebidas com os conhecimentos e memórias de experiências passadas. Desta comparação automática e inconsciente, nasce a intuição. Estudos na área da psicofisiologia demonstraram que o coração está, também, envolvido no processamento e descodificação de informações intuitivas. Parece que escutar o palpitar do nosso coração, evoca palpites! “O coração não fala, mas adivinha!”

Se pensarmos bem, cada experiência vivida, sentida e interiorizada, cria a nossa fonte única de sabedoria. É a nossa essência. A pessoa intuitiva usa este capital como uma ferramenta auxiliar de decisão, quer nas pequenas escolhas, quer nos grandes dilemas morais e encruzilhadas da vida. Deste modo, presta atenção ao seu mundo interior, escuta as suas emoções, sentimentos, insights e interpreta as sensações físicas ou “viscerais” (desconforto ou leveza), enquanto reflete nas possibilidades. Confiar na intuição é aceitar o conselho do coração. Será que palpita entusiasmado ou fraqueja desanimado? Uma perceção emocional pode criar a certeza numa escolha! Nada garante que seja a decisão mais acertada, mas é baseada na essência e valores pessoais, e sentida como verdadeira.

O que nos impede de seguir a intuição é o medo (de eventuais mudanças), o viés cultural contra as intuições e a necessidade de uma evidência ou explicação lógica. Por outro lado, a razão, ou raciocínio analítico, é lenta, consciente, controlada e confortável. A razão e a intuição são processos mentais complementares, inseparáveis, que funcionam num equilíbrio dinâmico. E a nossa vida balança nesta eterna, e delicada, dualidade!

Menciono alguns exemplos de profissões que valorizam e treinam a intuição: militares enfrentando, corajosamente, situações de combate; empresários e investidores arriscando palpites em decisões financeiras; cientistas, alguns deles laureados com o prémio Nobel, que confirmam lampejos de inspiração, que motivaram investigações pioneiras. Aliás, a intuição tem sido uma mais-valia no avanço do conhecimento. A Albert Einstein (1879-1955), considerado o maior intuitivo da história, são atribuídas duas frases: “não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo - o único caminho é o da intuição” e “a mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional um servo fiel. Criamos uma sociedade que honra o servo e se esqueceu do dom”.

A intuição é um (b)ónus da criação! Todos a temos. Sintonize e confie na sua também! Merece ser feliz!

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Imagem digital "The balance" - Chistian Schloe

publicado por carinafreitas às 01:49 link do post
17 de Fevereiro de 2019

Artigo de opinião publicado no Jornal da Madeira a 17 de fevereiro de 2019

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/2173/Sera_plagio_coincidencia_ou_criptomnesiaf 

 

Todos os anos, mais ao menos por esta altura, o canal da RTP apresenta as várias canções participantes no Festival da Canção, uma das quais será a grande vencedora, e a representante portuguesa ao Festival Eurovisão da Canção.

A edição do ano passado ficou marcada pela acusação de plágio a Diogo Piçarra, autor, compositor e intérprete do tema “Canção do fim”. Esta criação foi comparada a “Abre os meus olhos”, um cântico da Igreja Universal do Reino de Deus, editado em 1979. Além de negar qualquer intenção de plagiar, o artista ficou surpreendido pela semelhança entre as canções, à qual atribuiu “coincidência divina ou não”. A polémica instalou-se, com peritos musicais a analisarem e a compararem as duas obras. No final, o músico optou pela desistência, na participação na final do Festival, para não “alimentar” mais controvérsia, mas sempre de consciência tranquila.

O plágio é definido como o ato ou efeito de plagiar. É uma cópia ou reprodução, intencional, dissimulada, do todo ou de parte, da obra intelectual alheia, apresentando-a como original. O plagiador assume-se como autor da criação intelectual da obra e usufrui dos direitos de autor. O plágio é, pois, uma violação dos direitos morais e patrimoniais do verdadeiro autor, e implica a realização de uma perícia técnica, para comparação dos elementos comuns entre as obras envolvidas.

Qualquer denúncia de plágio, cria dúvidas acerca da integridade de um autor e compromete, e muito, a sua imagem e carreira. Contudo, em muitos casos, tem sido invocado “plágio inconsciente”, fenómeno cada vez mais estudado nas neurociências.

A criptomnésia (ou memória oculta) foi descrita pela primeira vez por Théodore Flournoy, um professor de psicologia suíço. Este termo é utilizado para descrever o plágio inadvertido, ou não intencional. Nesta situação, uma pessoa cria uma obra, pensando ser original, quando na verdade, já tinha sido exposta à ideia, que ficou armazenada na sua memória, em alguns casos durante anos, mas sem ter essa consciência. A ideia não é reconhecida como uma recordação de experiência passada, mas como uma criação inédita.

Na música, a avaliação do plágio está mais associada à cópia da melodia, apesar da obra musical ser, morfologicamente, a junção organizada de melodia, ritmo e harmonia. Várias canções podem ter a mesma harmonia, mas jamais a mesma melodia. O universo melódico está limitado a 12 sons, e por vezes na simplicidade da criação, podem existir semelhanças com manifestações musicais antigas.

Muitas das músicas plagiadas alcançam sucesso mundial, cuja divulgação internacional permite aos verdadeiros autores reconhecerem a cópia. A resolução destas situações difere consoante a gravidade do plágio e o êxito da canção. Há casos em que o autor aceita que tenha ocorrido uma coincidência. Noutros casos, o lesado avança para ação judicial e consegue que o seu nome seja incluído como coautor da obra plagiada, dividindo o mérito, os direitos e os royalties. Outros, ainda mais raros, conseguem acordos extrajudiciais sigilosos e milionários. A lista dos casos de plágio musical é extensa, e envolve grupos e artistas individuais, internacionais e nacionais.

Em resumo, o plágio é um ato totalmente reprovável, que mancha a credibilidade de um autor. Contudo, antes de formularmos qualquer juízo de valor, importa compreender, à luz dos novos conhecimentos neurocientíficos, que existem mecanismos inconscientes da memória que atraiçoam as melhores mentes criadoras.

publicado por carinafreitas às 01:53 link do post
09 de Fevereiro de 2019

No dia 7 de fevereiro, foi realizada a gravação, no estúdio do DSEAM, da canção "Brincar ao faz de conta" para o CD do 38º Festival da Canção Infantil da Madeira.

Com letra de Eva Lara Falcão, e música de Carina Freitas. O festival irá realizar-se no dia 27 de abril de 2019.

Agradecemos à Carolina Caires, autora e compositora pelo empenho e dedicação em preparar a solista para as gravações e festival.

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publicado por carinafreitas às 16:44 link do post
02 de Fevereiro de 2019

No dia 1 de fevereiro de 2019, a jornalista Laura Leon publicou a entrevista realizada à margem da apresentação da conferência "Música, Cérebro e Autimo". Com depoimentos meus e da musicoterapeuta e psicomotricista Dra. Sara Teixeira.

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publicado por carinafreitas às 16:48 link do post
23 de Janeiro de 2019

Artigo de opinião publicado no Jornal da Madeira no dia 22 de janeiro de2019

Link:

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/2091/Programas_de_prescricao_social_uma_revolucao_na_saude

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde, desde 1948, como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Esta definição apela a um olhar holístico da pessoa, aceitando-a como um todo.

Contudo, apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos, os profissionais de saúde confrontam-se, frequentemente, com constantes sentimentos de impotência na abordagem eficaz dos determinantes económicos e sociais de saúde. É que não existem soluções médicas para questões como: o isolamento/exclusão social, desemprego, pobreza, falta de meios e de literacia. E estes fatores impactam, e muito, o bem-estar e a resiliência dos indivíduos, e das suas famílias.  

A prescrição social é uma nova maneira de pensar a saúde. À semelhança da prescrição médica, os profissionais de saúde podem referenciar os utentes, de forma personalizada, para projectos e instituições existentes na comunidade, que prestam serviços não clínicos, para que possam complementar, ou até mesmo substituir, alguns tratamentos. Assim, a receita ou prescrição social pode incluir: juntar-se a um coro; aulas de dança, nutrição, culinária ou português; voluntariado; jardinagem; visitas a parques e museus; mentoria ou grupos de apoio; audição de playlists, exercício físico; desporto e outras atividades.

Os primeiros programas começaram no Reino Unido e nos Estados Unidos. Ganharam reconhecimento internacional e, agora, expandem-se mundialmente. Na província do Ontário, Canadá, o projeto piloto iniciou-se há 4 meses, e incluiu uma parceria, entre os serviços de saúde e vários museus, que ofereceram cerca de 5000 passes (cada um para 4 pessoas). Em Portugal, a unidade de saúde familiar (USF) da Baixa, em Lisboa, também lançou, em setembro de 2018, o seu projeto piloto de prescrição social.

O conceito é recente e, por isso, apresenta diferentes definições e modelos de funcionamento consoante o país, e respetivos sistemas de saúde.  Os estudos, apesar de escassos, apresentam resultados promissores. Esta receita social pode trazer benefícios para todos: utentes, profissionais (e sistemas) de saúde e comunidade. Para o indivíduo salienta-se que: o suporte social de uma rede de apoio poderá traduzir-se na melhoria da sua saúde global; cresce um sentimento de pertença e de valorização pela oportunidade de contribuírem para a comunidade onde estão integrados; tornam-se fisicamente mais ativos, psicologicamente mais capacitados e assumem maior responsabilidade pela gestão da sua saúde, melhorando o grau de literacia. Os profissionais e os sistemas de saúde otimizam a sua utilização (redução da procura injustificada) e referenciam os utentes para parceiros comunitários, que oferecem respostas já organizadas para muitas das necessidades sociais. A comunidade, por sua vez, amplia e fortalece os seus recursos, ajuda na identificação de lacunas, planeia e desenvolve soluções.

Em conclusão, a prescrição social (e cultural) poderá ter um impacto significativo na perspetiva abrangente de saúde pública global. Confiaremos na sensibilidade dos decisores. Que a divulgação desta ideia possa mobilizar a vontade política para facilitar ações e colaborações intersectoriais, e construir uma comunidade mais resiliente, saudável e feliz.

publicado por carinafreitas às 17:26 link do post
31 de Dezembro de 2018

Listagem e links de todos os artigos de opinião publicadas no Jornal da Madeira no ano de 2018:

21 de janeiro de 2018

A Medicina das Artes Performativas

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/927/A_Medicina_das_Artes_Performativas

 

18 de fevereiro de 2018

A Perturbação do Espectro do Autismo e a vacinação

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1012/A_Perturbacao_do_Espectro_do_Autismo_e_a_vacinacao

 

18 de marco 2018

As capacidades musicais dos indivíduos com autismo

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1105/As_capacidades_musicais_dos_individuos_com_autismo

 

15 de abril de 2018

Musicoterapia em Portugal: Madeira pioneira na formação

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1197/Musicoterapia_em_Portugal_Madeira_pioneira_na_formacao

 

13 de maio de 2018

As potencialidades da Medicina Gráfica

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1284/As_potencialidades_da_Medicina_Grafica

 

10 de junho de 2018

Por esse mundo além…em Toronto!

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1373/Por_esse_mundo_alem_em_Toronto

 

8 de julho de 2018

O estigma da doença mental

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1458/O_estigma_da_doenca_mental

 

5 de agosto de 2018

Gratidão: a receita para a felicidade

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1544/Gratidao_a_receita_para_a_felicidade

 

2 de setembro 2018

Consegues ler os meus pensamentos?

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1634/Consegues_ler_os_meus_pensamentosf

 

30 de setembro de 2018

Síndrome do Coração Partido: Morrer com a “mão no coração”

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1722/Sindrome_do_Coracao_Partido_morrer_com_a_mao_no_coracao

 

28 de outubro de 2018

O sonho comanda a vida

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1817/O_sonho_comanda_a_vidac

 

25 de novembro de 2018

Musicoterapia Neurológica: o seu papel na reabilitação

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1906/Musicoterapia_Neurologica_o_seu_papel_na_reabilitacao

 

23 de dezembro de 2018

A essência do espírito de Natal

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1998/A_essencia_do_espirito_de_Natal

publicado por carinafreitas às 17:30 link do post
08 de Abril de 2018

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História do Festival da Canção Infantil da Madeira por Ricardo Araújo, publicado a 1 de Abril de 2018

Link do Jornal da Madeira:

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/1153/Era_uma_vezo_37_Festival_da_Cancao_Infantil

 

Era uma vez...o 37º Festival da Canção Infantil

Este festival já há muitos anos que é acarinhado pelo público madeirense.

Esta história de encantar teve início no ano de 1982, quando Manuela Aranha idealizou e criou o Festival da Canção Infantil da Madeira que, até hoje, se tornou no festival da canção infantil mais antigo do país, em continuidade, sendo esta a 37ª edição ininterrupta.

O festival possibilitou, até hoje, que 509 crianças da região fossem solistas e dessem voz às canções de inúmeros autores de letras e músicas. A partir de 1990, esta aventura foi abraçada pela Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM), na altura apelidado de Gabinete de Apoio à Expressão Musical e Dramática assumindo, a cada edição, temas do imaginário infantil.

O tema desta edição será ‘o livro’, que marcará não só o cenário e imagem do festival como também os dois medley que serão apresentados durante o espetáculo: o de entrada, interpretado pelo Coro Infantil da DSEAM, recuperando várias canções que participaram em festivais anteriores, algumas delas com mais de 20 anos, dentro desta temática; e outro, inovador, interpretado ao vivo por cordofones madeirenses e o Coro Juvenil da DSEAM, onde várias canções da Disney terão novos arranjos e abordagens ao som da braguinha, do rajão e da viola d’arame.

A canção vencedora, além de receber o troféu “Folhas de Prata”, estará presente na “Gala Internacional dos Pequenos Cantores” da Figueira da Foz, no mês de julho.

Este festival já há muitos anos que é acarinhado pelo público madeirense, algo também acompanhado por parceiros institucionais e privados que possibilitam um aumento na qualidade e projeção deste evento, onde se destaca a Co-Produção da RTP com a transmissão deste festival em diferido na RTP1, RTP Madeira e RTP Internacional.

As personagens principais desta narrativa cheia de magia são as crianças, solistas e elementos do coro infantil, que se desdobram em inúmeros ensaios, desde o mês de janeiro, dirigidos pela professora e maestrina Zélia Gomes, com o apoio e acompanhamento dos seus pais e os autores das canções para que o final seja feliz e deslumbrante.

Como qualquer história esta também tem um final que será já no próximo dia 7 de abril, pelas 16:00, no auditório do Centro de Congressos da Madeira. Juntem-se a nós nesta aventura… JM

 

publicado por carinafreitas às 01:48 link do post
26 de Dezembro de 2017

O meu artigo de opinião publicado a 24 de dezembro 2017 no Jornal da Madeira

 

A todos um Bom Natal!

O tempo não para e é Natal outra vez. Ontem foi a popular “noite do mercado”. Habitualmente, a multidão converge para o Mercado dos Lavradores. São centenas de pessoas reunidas na praça do peixe, com o intuito de ouvir e cantar os cânticos de Natal. O povo transforma-se, assim, num enorme coro, que acompanha e incentiva a Confraria dos Cantares. É o chamado Sing-along ou o canto comunitário, acessível a todos.

​O que seria do Natal sem música? Nem consigo imaginar. Das minhas memórias de infância saliento o tema “A todos um Bom Natal”, um clássico natalício, criado pelo maestro César Batalha e popularizado pelo coro infantil de Santo Amaro de Oeiras. Costumava ouvi-lo na televisão. Felizmente, hoje em dia, é possível assistir, ao vivo, na Madeira, aos inúmeros coros que nos encantam, interpretando bonitas canções de Natal.

​Congratulo-me em saber que neste mês de dezembro realizou-se, na Madeira, o 1º Festival Regional de Coros Escolares, organizado pela Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM). Este festival envolveu cerca de 500 crianças de treze escolas do 1º ciclo do ensino básico. Que rica experiência para estas crianças! Saliento também o III Encontro de Coros de Natal e o XX Festival de Coros de Natal. São exemplos de momentos musicais que convidaram o público a entrar no espírito da época.

Muitos mais coros existem distribuídos pela Madeira e Porto Santo, e ainda bem. Sou uma fã incondicional dos grupos corais. Integrei diferentes coros em Portugal, e atualmente sou membro dos Spirit Singers, um dos coros da Universidade de Toronto. Aproveito, esta oportunidade para mencionar, resumidamente, alguns benefícios de pertencer a um coro. Do ponto de vista técnico, o coralista melhora os seus conhecimentos musicais, treina a postura e aprimora a afinação vocal e respetiva técnica respiratória. A nível social e emocional, sente-se parte de um grupo, convivendo com outras pessoas que partilham a paixão comum pelo canto. Após cada espetáculo, cresce a autoconfiança, alegria e satisfação dos membros integrantes. A nível fisiológico, cantar num coro é uma atividade de grupo sincronizada (dos movimentos musculares fonatórios e respiratórios) e, com surpreendente, sincronização também ao nível dos batimentos cardíacos. Estudos mostraram ainda fortalecimento do sistema imunitário (aumento da concentração de citocinas e de imunoglubulinas IgA). Além da vertente artística, cantar é, uma atividade terapêutica, que faz bem ao corpo e à alma. Como diz o ditado: “Quem canta, seus males espanta”. Em contrapartida, ser membro de um coro exige dedicação, disponibilidade e compromisso com os ensaios semanais e concertos. É que sem trabalho, não há sucesso!

E não há Natal, sem o Natal dos Hospitais! Uma palavra final de apreço à organização, patrocinadores, artistas e apresentadores participantes no Natal dos Hospitais da RTP Madeira, que levaram música, alegria e esperança aos que mais precisam. Bem-hajam!

Despeço-me desejando a todos um Santo e Feliz Natal, e um fantástico 2018!

 

Link para a página do Jornal da Madeira:

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/845/A_todos_um_Bom_Natal

 

 

publicado por carinafreitas às 13:59 link do post
26 de Novembro de 2017

O meu artigo de opinião publicado a 26 de novembro de 2017, no Jornal da Madeira

 

O poder da familiaridade na preferência musical

Nos últimos 30 anos, as neurociências da música (uma subdisciplina das neurociências cognitivas) têm ajudado na compreensão dos mecanismos cerebrais subjacentes ao processamento musical. Uma questão importante, mas pouco valorizada, é avaliar o poder da familiaridade na escolha musical. Será que preferimos ouvir canções novas/originais ou canções já familiares/conhecidas? E como é que o cérebro reage a cada um deste tipo de música?

​Segundo o princípio da familiaridade, também denominado “efeito da mera exposição”, descrito por Zajonc, em 1968, quanto mais familiares estamos com algo, mais gostamos desse estímulo. Este efeito é válido até um certo limite do número de exposições, a partir do qual surge a saturação e decresce a nossa preferência. Contudo, se uma pessoa tiver controle sobre a exposição, continuará a gostar desse mesmo estímulo.

Um estudo comportamental realizado pela Universidade de Washington, em 2014, mostrou que, apesar dos participantes (todos amantes de música) referirem maior preferência pela aquisição de música nova, na realidade, quando confrontados com escolhas reais entre pares de músicas (novas contra familiares), a maioria optou por comprar as canções que já tinha ouvido mais vezes. Estudos neurocientíficos demonstraram que a audição de músicas familiares, comparativamente às músicas novas, ativa com mais intensidade, os sistemas de recompensa e de prazer do cérebro, induzindo emoções mais positivas e agradáveis.

Na verdade, o nosso cérebro gosta de estímulos familiares porque já os conhece e é mais fácil de os processar. Quando ouvimos canções conhecidas, o cérebro reconhece o padrão musical, e já sabe o que esperar. Além disso, ressoa na nossa memória eventos e histórias associadas às referidas canções. Se, além de familiar, for também favorita, a cada audição, associamos uma sensação de prazer e bem-estar, que é reforçada na audição seguinte. É o poder da familiaridade em modular a nossa resposta emocional à música.

Numa entrevista recente, alusiva aos 20 anos de carreira do cantor João Pedro Pais, perguntaram-lhe se ainda tocava, nos seus concertos, os seus sucessos antigos, ao que este respondeu: “Claro que sim. Nesse aspeto, tento seguir as pisadas e imitar o Sting. Ele vai direto ao assunto e não tem preconceito nenhum em tocar canções antigas. A primeira música que ele costuma tocar nos concertos é “Every breath you take” (êxito do grupo The Police) ou o “Englishman in New York”.

Não há dúvida que o público adora ouvir e cantar em coro canções familiares. Ainda bem que há artistas que (re)conhecem, e gostam de satisfazer, as expectativas do público.

Conclusão: a familiaridade é um fator a considerar na seleção de qualquer repertório musical, seja para fins artísticos, educacionais, terapêuticos ou mesmo comerciais. Quem é que nunca ouviu canções familiares nas lojas? É uma técnica de neuromarketing para influenciar o comportamento dos consumidores! E como transformar uma canção nova num “hit”ou êxito? As rádios sabem fazê-lo muito bem: exposição inicial e repetição, repetição, muita repetição…Primeiro estranha-se, depois entranha-se! 

 

Link para a página do Jornal da Madeira

https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/741/O_poder_da_familiaridade_na_preferencia_musical

 

publicado por carinafreitas às 13:52 link do post
24 de Novembro de 2017

No programa "Haja Saúde" da FPTV/SIC Internacional do mês de novembro de 2017 foi abordado o tema do uso da música na medicina, em especial na reabilitação neurológica.

Apresentação de Filipe Ribeiro.

Filipe Ribeiro e Carina Freitas- FPTV- Sic Interna

 

publicado por carinafreitas às 14:17 link do post
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